quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Capítulo I

DEJA VU [?]

A escuridão tomara conta do lugar, os moradores parecem ter se assustado com o barulho, pois logo se retiraram e apagaram as luzes. Maiah tinha certeza de que nunca estivera ali antes, porém sentia uma certa paz naquele lugar. Já não havia mais ninguém na rua quando apareceu uma mulher que seguia decidida, aparentemente, para o nada. Ela parecia esperar por algo ,impaciente.
Após alguns segundos caminhando, a mulher pára e começa a conversar com alguém, e logo se percebe a chegada de mais e mais pessoas para junto dela. O silencio é ,então, quebrado pelas vozes , e a escuridão antes ali, agora era um pouco ofuscada pelo brilho das jóias que estavam pelos corpos e trajes das pessoas presentes. Maiah tentava se aproximar, mas alguma coisa a impedia e tudo que ela se contentou a fazer foi prestar atenção e tentar entender um pouco do que eles diziam.
Apesar do barulho e da inquietude não havia sinal de que algum morador estivesse incomodado com o fato, e os presentes ali também não pareciam se preocupar em serem discretos. O diálogo entre aquelas pessoas havia agora tomado tom de discussão, e eles pareciam se descontrolar a cada palavra até que alguém pareceu não gostar muito daquilo:
- chega! – disse uma voz feminina e uma grande luz branca surgiu e todos aqueles que estavam discutindo, exceto uma mulher que segurava um grande embrulho, foram jogados para o canto e, ao invés de caírem, foram arremessados contra cadeiras, que com certeza, não estiveram ali antes. Mais uma vez uma luz, porém mais fraca, fora lançada, esta fez as luzes dos postes próximos àquelas pessoas acenderem e assim foi possível ver mais nitidamente os rostos e trajes dos presentes ali. Suas roupas eram bem sofisticadas, Maiah sentia-se em um desfile de modas.
As mulheres usavam longos e luxuosos vestidos de cores escuras e com pequenas e inúmeras pedrinhas brilhantes que se arrastavam por todo o comprimento. Seus cabelos se resumiam em um conjunto de cachos e tranças, na maioria se estendendo até abaixo da cintura, e no alto da cabeça uma tiara prata, que lembrava uma pequena coroa. Maiah percebeu então que duas delas usavam tiaras diferentes, a de uma era ligeiramente maior e prateada, um pouco mais brilhante que as outras, era mais arredondada e possuía duas pedras, aparentemente uma seria um rubi e a outra uma esmeralda. A outra era consideravelmente maior que as outras e muito dourada, com uma jóia grande brilhando muito no centro, esta mulher era a mais calada, estava sempre aos prantos, Maiah agora a identificou como a que não havia sido jogada nas cadeiras, o embrulho sempre as mãos.
Os homens também vestiam preto, porém um conjunto menos formal e quase idêntico de calças e camisas de manga ¾. A única diferença visível eram as cores que seguiam no contorno das camisas. Os sapatos eram bem estranhos, pareciam sapatilhas de balé, porém com um cano alto que seguia quase até o joelho. Alguns tinham um pouco de barba, e seus cabelos eram curtos e com “desenhos” feitos pelo corte que pareciam ser brasões e essa era outra diferença, cada um vinha com um desenho e com escritos visivelmente desiguais uns dos outros.
- nós precisamos tomar uma decisão rápida – a mulher voltara a falar e, prestando mais atenção nela, Maiah a identificou, sim aquele rosto, apesar de mais jovem era bem conhecido, aquela era Julia, tutora de Maiah- eles virão atrás das garotas e nós não temos condições de contra-atacar, precisamos proteger as princesas pois elas são nossa única chance.
- mas como nós vamos fazer isso? – protestou um homem – você mesma disse que não temos condições de lutar contra eles.
- temos que encontrar uma forma de escondê-las, pelo menos até elas terem idade suficiente para nos ajudar.
A discussão tomara conta do lugar novamente mas Maiah não prestara atenção a isso, o fato de Júlia estar ali e tão mais jovem a deixou muito confusa, o que estaria acontecendo de tão grave? Que lugar era aquele? Quem eram aquelas pessoas tão esquisitas? Por que aquela mulher chorava tanto? O que seria aquele embrulho? Os pensamentos de Maiah foram então interrompidos por um silencio anormal, de repente toda a falação cessara e todos abaixaram a cabeça quando a mulher que segurava o tal embrulho levantou-se e começou a falar, quase gritando:
- vocês não vêem o que estamos passando? Eu sei que estão todos preocupados, mas discutir não levará a lugar nenhum – naquele momento ela havia parado de chorar e falava com tanta firmeza que nem parecia a mesma mulher – ao contrário, só irá fazer com que os Mayons se aproximem ainda mais de nós.
- Mas ma...
- em primeiro lugar, todos irão se dirigir a mim como Luanna – a mulher ignorou a interrupção e continuou – assim como eu todos vocês terão novos nomes à sua escolha. Segundo, nós temos que encontrar uma forma de esconder as princesas, eu pensei em nos separar e enviá-las para outra dimensão. Terceiro, alguns de nós ficarão aqui e se renderão aos Mayons para amparar a população até que as meninas estejam prontas.
- e como a senhora irá dividir este esquema? – Julia voltou a falar
- não me chamem mais de senhora, não dentro de alguns anos, nós precisamos de disfarces, e se me chamarem de senhora vai ser muito óbvio. E respondendo à sua pergunta Lienna, e eu peço que não me interrompam, enquanto vocês discutiam, eu resolvi o seguinte: Lostro e Dínama da Aldeia do Leste ficam com a princesa Lanna e você, Lienna, e Nícones ficam com a princesa Maiah – naquele momento Maiah achou muito estranho, sem perceber que seu nome fora citado, ela notou que Luanna estava se referindo à Julia quando dizia o nome Lienna, esse seria verdadeiro nome de Júlia? Para entender melhor, a garota voltou suas atenções à rainha – vocês vão levar elas até a sexta dimensão e lá encontrarão um bom lugar para viver, um lugar que não seja muito movimentado nem muito conhecido, mas também não pode ser um lugar muito escondido, pois esses serão os lugares em que os Mayons irão procurar primeiro – a rainha ficou em silêncio, então uma mulher arriscou falar:
- e você? As meninas não podem ficar sem a mãe.
- oh minha irmã, vai ser difícil, eu sei, mas eu confio em todos vocês, é melhor que seja assim, eu irei ficar aqui junto com os outros, nós iremos voltar para as aldeias e vamos cuidar do povo, sem alguém para guiá-los eles vão acabar fazendo besteiras, armando revoltas e os Mayons não irão aturar tal coisa, eu ficarei e protegerei meu povo.
- obrigada, muito obrigada pela confiança, mas senhora, a sexta dimensão não seria muito perigosa? – Julia questionou – Quero dizer, em alguns anos eles poderão estar extintos, não seria mais seguro ir para a segunda ou terceira dimensões?
- não, apesar da sexta dimensão estar tão fraca, a segunda ou a terceira seriam muito vulneráveis, e eu sei que há tempo o suficiente de vida para eles até que as meninas estejam prontas. Vocês decidem para onde irão, e eu peço que não afastem muito as meninas, ou melhor, no ano em que elas fizerem 14 anos, vocês se mudarão para a mesma cidade e farão com que elas se tornem amigas. Outra coisa que peço é que contem a elas que são apenas seus tutores enquanto eu não posso estar lá, que elas descubram sozinhas que são irmãs e que, se elas não descobrirem até o fim de seus 15 anos que pertencem a esta dimensão, só então vocês têm permissão de contar-lhes suas histórias. Agora eu quero saber qual o nome que cada um escolheu para si. Ah, por favor, nomes comuns, ou chamará muita atenção! – a mulher colocou o embrulho sobre o chão e conjurou em sua mão um caderninho e uma caneta, esta que aparentava ser de ouro.
Todos então fizeram uma fila e um a um foram escrevendo e dizendo seus nomes e “codinomes”:
- nome: Nícones, codinome: Mauro, aldeia do Sul.
- nome: Lienna, codinome: Julia, aldeia do Sul. – naquele momento Maiah confirmara sua teoria, o que fez as duvidas aumentarem ainda mais. Porem ela iria pensar nisso depois, era melhor ela continuar ouvindo.
- nome:Girlo, codinome: Aurélio, aldeia do Norte.
- nome: Catharin, codinome: Maria, aldeia do Norte.
- nome: Lostro, codinome: Carlos, aldeia do Leste.
- nome: Dínama, codinome: Viviane. Aldeia do Leste.
- nome: Kinon, codinome: João, aldeia do Oeste.
- nome: Marae, codinome: Diana, aldeia do Oeste.
- nome: Miero, codinome: Igor, aldeia dos Lagos.
- nome: Clore, codinome: Gisele, aldeia dos Lagos.
- nome: Frônio, codinome: Mike, aldeia dos Mares.
- nome: Redayla, codinome: Ana, aldeia dos Mares.
- nome: Mayla, codinome: Nice, aldeia dos céus.
- agora só falta eu, nome: Mirla, codinome: Luanna, aldeia dos céus. Esse papel ficará comigo. Será o modo de nos identificarmos, eu vou colocá-lo em um pingente, e caso algo aconteça, com isso as meninas poderão nos identificar.
Todos confirmaram com a cabeça. Luanna foi então até os pacotes e retirou algo de dentro deles, Maiah ficou surpresa pois o que a mulher havia tirado era um bebe, bem pequenino, enrolado em uma magnífica manta rosa. Ela entregou o bebe a Julia:
- Lienna da aldeia do Sul, eu entrego a ti e a teu marido Nícones minha filha Maiah, que vocês cuidem bem dela e que não deixem de realizar meus desejos. – Maiah agora percebera seu nome, será que ela era uma princesa? Será que ela estaria presenciando seu passado? Ela continuou observando:
- seus desejos serão realizados, sua filha está em boas mãos. – disseram Julia e o homem juntos.
Luanna voltou ao embrulho e tirou mais um bebe, enrolado em outra manta, também magnífica esta porém era vermelha. Ela entregou o bebe a outra mulher:
- Dínama da aldeia do Leste, eu entrego a ti e a teu marido Lostro minha filha Lanna, que vocês cuidem bem dela e que não deixem de realizar meus desejos. Agora vão, no caminho vocês decidem onde ficarão. Adeus.
- seus desejos serão realizados, sua filha está em boas mãos. – o outro casal repetiu.
Eles saíram e de repente um barulho estranho assusta Maiah, seu celular tocava.

2 comentários:

  1. NUUSS! *_* LINDOO! Amei, de verdade! Putz, continua Naty, OK? Bjumeliga. ;*

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  2. valeu Tiago... xD

    eu vo continuar sim... agora q comeceii... to animadaaa... q bom q vc gostoouu... só espero não ter ficado muito grande... =D

    :*

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