segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Capítulo II

O SONHO


- caramba, que sonho esquisito – Maiah resmungava enquanto procurava o celular – ah, só a Fran mesmo pra me ligar cedo assim. Pode falar.
- bom dia pra você também sua chata, se você não percebeu já são nove horas da manha!
- é eu percebi sim, eu só não entendi ainda porque você tem que me ligar tão cedo.
- porque eu sabia que você iria esquecer da aula, e não está cedo não viu?
- droga! Eu esqueci mesmo, tava tão acostumada com as férias – maiah agora voltara a deitar-se na cama.
- é mas pode desacostumar porque hoje agente ficou de ajudar a apresentar a escola para os alunos novos lembra?
- agente não, aquela mala da diretora que quase obrigou agente a se oferecer pra isso.
- é mas agora já era, nós falamos que íamos ajudar, então temos que ir.
- realmente, agente também não tinha escolha, se agente não se oferecesse ela ia nos chamar, então não faz diferença.
- é, então tchau né? Onze e meia no ponto do ônibus ok? E vê se não atrasa Maiah!
- vou tentar, beijo, tchau.
- tchau.
Maiah desliga o telefone troca de roupa e vai para cozinha tomar café.
- iih, esqueci que a Julia ia sair hoje, não tem nada pronto. Vou comer só uma maçã mesmo, daqui a pouco tenho que fazer almoço. Tem que acordar aquele inútil também, que droga, aulas aulas aulas... pra que?
Maiah era uma garota muito bonita, aos quatorze anos entrava no segundo grau na Escola Estadual Manuel Andrade, era uma aluna aplicada e bem conhecida na escola por suas notas e também por sua beleza. Seus longos cabelos lisos e negros iam em contraste com sua pele clara, não era muito alta mas tinha corpo de uma garota de dezesseis ou dezessete anos. Sempre fora muito animada e extrovertida, adorava fazer amigos e tinha grande facilidade pra isso.
Voltando a pensar no sonho que tivera, Maiah se arruma, almoça e vai encontrar a amiga para irem juntas à escola:
- que milagre!
- o que é milagre?
- Maiah Conner chegando na hora! Isso é para se lembrar pra sempre.
- ahn, era pra rir? Porque eu não achei graça...
- desculpa amiga!
Francielle era a melhor amiga de Maiah, era bem mais fechada e tímida que a amiga e talvez por isso a amizade delas era tão forte. Fran também era muito bonita e inteligente, as duas faziam a dupla mais popular do colégio, o que não faziam com superioridade.
- desculpada, como você está?
- ah to bem, um pouco de sono mas bem.
- você com sono Fran? Isso sim é milagre.
- eu tive um sonho assustador essa noite, sonhei que minha mãe tava grávida, de novo! imagina só? Eu quase nem dormi – Maiah começa a rir muito – ri mesmo, você não sabe o terror de ter um irmão pequeno.
- ainda bem que não
- até que enfim o ônibus chegou. – as duas entram no ônibus e sentam-se nos bancos mais próximos da porta, Maiah ainda ria descontroladamente - você ri porque não teve irmãos, e a Julia também não teve filhos, nossa quando o Rayan nasceu eu penei, eu que olhava ele, trocava fralda e tudo mais. E eu só tinha dez anos! Imagina!
- eu lembro o que você sofreu amiga!
- eu dei graças a deus ano passado, que a mamãe colocou ele na escolinha!
- mas mudando de assunto, eu também tive um sonho muito estranho essa noite, sonhei que eu estava numa rua deserta e escura – e assim Maiah contou o sonho pra amiga durante todo o trajeto até a escola.
- nossa Maiah, sonho estranho mesmo, bizarro essa história de princesa, outra dimensão... e irmã gêmea? imagina outra igual a você, ah eu não ia agüentar não! que imaginação hein?
- o pior não é isso Fran, o pior é que eu lembro cada detalhe do sonho, sem tirar nem colocar nada, os nomes, as roupas, os rostos das pessoas, tudo está perfeitamente idêntico na minha cabeça como eu vi lá, como se eu realmente tivesse presente naquela ocasião.
- você já contou isso pra Julia? Quer dizer, ela tava no seu sonho não é? Talvez quando você era menor, ela possa ter te contado uma história parecida, então ela pode saber te esclarecer algo!
- eu pensei nisso mas a Ju não tava em casa, ela saiu bem cedo.
- então você vai ter que falar com ela depois não é?
- não sei, acho que vou rondar um pouco antes, ver se eu pesco alguma coisa.
- é uma boa idéia!
Elas tinham acabado de entrar na escola quando encontraram a diretora
- Boa tarde diretora Mercês!
- oh, boa tarde Maiah, boa tarde Francielle!
- boa tarde diretora! – a outra menina respondeu.
- que bom que vocês vieram, os outros auxiliares já estão no auditório, se vocês pudessem se juntar a eles eu agradeceria. – a diretora pediu com um falso tom de simpatia na voz.
- é claro, mas eu não sabia que haveriam mais alunos – Fran indagou
- oh sim, eu pedi que viessem dois alunos de cada turma, assim fica mais fácil de coordenar os novos alunos.
- muito inteligente diretora!
- obrigada Maiah, agora vocês podem ir?
- até mais senhora – em um coro as meninas despediram-se e saíram de perto da diretora.
- essa bruxa tem cada idéia louca.
- deixa ela te ouvir Francielle Duncan, que você vai ver o quanto ela é louca.
As duas chegaram no auditório às gargalhadas mas ao entrar ficaram em silencio demasiadamente rápido.
- caramba, a velha conseguiu arrastar esse tanto de gente pra cá no primeiro dia de aula?
- tipo, o auditório está bem cheio pro primeiro dia!
- o que que os alunos não fazem para agradar à diretora
- pois é
- aqui Maiah, aqui tem dois lugares.
- perto dessas duas seriemas aí? Jamais, aqui ta melhor. – Maiah se referia a duas garotas sentadas na fileira da frente à que Fran havia citado, eram duas das poucas pessoas que odiavam Maiah naquele lugar, as meninas, pela idéia de Maiah, eram duas patricinhas que morriam de inveja da popularidade da garota. Sem contar também da disputa entre as duas turmas.
- você me mata de rir Mah!
- é eu sei =D
- Ei Maiah, tudo jóia? – uma garota gordinha se aproxima e cumprimenta as meninas.
- ei Dani, quanto tempo moça!
- ei Fran
- ei Dani, como você ta? A gente te procurou durante as férias todas e nunca te achava.
- é que eu viajei com minha mãe, passei minhas férias todas em Fernando de Noronha.
- ah, to bege, lá deve ser maravilhoso né? Eu e a Fran ainda vamos um dia pra lá.
- fora a companhia da mamãe, tava tudo perfeito.
- você devia dar uma chance pra ela Dani!
- você não entende Fran, eu tento, mas ela sempre faz algo pra me aborrecer!
- silêncio por favor? – a voz rouca no microfone era bem conhecida, a orientadora da escola, fazia um pedido inútil aos alunos, eles nunca a obedeciam.- por favor alunos, eu preciso da atenção de vocês.
- SILÊNCIO – dessa vez era a voz da diretora e mais do que rápido todos se calaram – ótimo, muito bem, agora vocês vão continuar assim enquanto a senhorita Vitória se pronuncia.
- bom alunos, como vocês sabem hoje é seu primeiro dia de aula, e como veteranos vocês já conhecem a escola e suas normas. Como neste ano entraram poucos alunos novos para a escola, nós decidimos que uma boa maneira de fazer com que os novos alunos se sintam à vontade aqui, seria que os alunos antigos os apresentassem a escola. Foram escolhidos quatro alunos de cada classe. Semana passada o mesmo aconteceu com os alunos de sexta à oitava serie e primeiro ano do turno da tarde, hoje estão aqui as 15 turmas do primeiro ano do turno da manhã. Vocês irão esperar os novos alunos em suas antigas classes, eles irão chegar dentro de trinta minutos. Em cinco minutos vocês serão liberados e irão para as classes decidir qual o trajeto irão fazer. Dentro desse trajeto vocês devem apresentar aos alunos todas as áreas da escola assim como quadras, auditórios, laboratórios, secretaria, cantina, biblioteca e etc. Agora vocês têm permissão para fazerem perguntas desde que antes levantem a mão para evitar bagunça, alguma pergunta? Você aí seu nome e sua pergunta.
- Meu nome é Luiz e eu não entendi porquê vocês nos tiraram de casa para fazer um serviço que devia ser feito por vocês. – o aluno que estava sentado ao lado de Francielle arriscou, após a pergunta ouviu-se murmúrios que cessaram quando a orientadora voltou a falar:
- como eu já disse anteriormente e o senhor parece não ter escutado, nós promovemos essa atividade para que nossos novos alunos sintam-se mais á vontade ao chegarem aqui na escola, para que eles já comecem o ano com novos colegas, entendido?
- ah claro – o garoto respondeu com uma certa ironia na voz.
- mais alguma pergunta? Acho que não. Bem então vocês já sabem...
- senhora?
- sim?
- quando nós vamos ser liberados?
- bem, agora sendo meio dia e quinze, os alunos chegarão em quinze minutos então vocês tendo duas horas para apresentar-lhes a escola, ás quatorze e trinta vocês poderão sair, como não temos mais perguntas, podem seguir para as classes e esperar pelos alunos novos. Uma observação: os garotos devem apresentar à escola aos novos alunos, e as garotas às novas alunas, para facilitar a apresentação dos sanitários e evitar que normas da escola, já conhecidas por vocês, sejam quebradas. Podem ir.
Todos se retiraram do auditório com uma paciência “invejável”, porém muita conversa sobre essa nova invenção da escola. Maiah e Francielle saíram na companhia de Daniela.
- o que ela queria dizer com “evitar que normas da escola, já conhecidas por vocês, sejam quebradas”?
- adivinha Dani, ela não quer que meninas e meninos se aproximem pra evitar que eles fiquem se beijando por aí. – Maiah respondeu após uma crise de risos de Francielle. Os risos só cessaram quando elas chegaram á sala de Daniela:
- então tchau, e boa sorte.
- valeu, pra vocês também.
- até mais.

2 comentários:

  1. Uhuul! Ótimo, como sempre, Naty. Vê se continua, OK? Eu tô devendo um certo capítulo VI, sabe... xD

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